diálogos

MIFF – Moscow International Film Festival

The program “Experimental Cinema from Brazil” with four films from Melissa Dullius & Gustavo Jahn, was presented in the evening of june 19th in the cinema Oktyabr.

For more information about the special program follow the link Cine Fantom Alternativa.

pdf of cine fantom’s weekly newspaper

Corpos Imateriais

The actor Juarez Nunes wrote the present article in response to the film program recently presented in Curitiba during the exhibition “Narrativas à Deriva”. 

Juarez Nunes lives and works in Florianópolis and worked with Gustavo Jahn & Melissa Dullius in three of their films.

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Em resposta aos filmes apresentados recentemente em Curitiba  na mostra “Narrativas à Deriva”, o ator Juarez Nunes escreveu o presente artigo.

Juarez Nunes vive e trabalha em Florianópolis e  participou de três filmes de Gustavo Jahn & Melissa Dullius.

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Campos Imateriais

Campos imateriais talvez não seja a tradução ideal para termo alemão wesenlose Wälder, entretanto, parece ser a que melhor se apresenta; visto que Wesen pode ser entendido como ser no sentido de presença, acompanhado do sufixo los tem a mesma função de nosso prefixo des, indicando falta, ausência, como em destemido, desmaterializar.

Wald significa literalmente floresta, mas podemos traduzir livremente wesenlose Wälder como campos imateriais; estamos diante algo que se faz presente, mas se torna imaterial.

É esse termo que Gustavo Jahn e Melissa Dullius utilizam para designar terrenos vazios ou buracos herdados dos bombardeios aéreos da segunda guerra mundial presentes ainda hoje, sobretudo na parte oriental da cidade de Berlim, e que deve lhes proporcionar um futuro projeto.

Parece-me que a oportuna, e porque não dizer, feliz sessão 4 da mostra de vídeo do Itaú Cultural realizada no Sesc Paraná no dia 22 de abril, remete-nos aos wesenlose Wälder.

O termo feliz vem para reafirmar a escolha que o curador João Dumans fez  dos trabalhos de Gustavo Jahn e Melissa Dullius, brasileiros radicados em Berlim desde 2007, para retratar o que denominou de Narrativas à Deriva, numa forma de  fazer cinema que se encontra entre a invenção e o registro documental.

O que me chama atenção no trabalho dos cineastas é o fato de que em seus filmes, diversamente, na contramão do circuito comercial, torna-se impossível contar a “historia” ou “estória” da ficção que se acabou de assistir.

Dessa forma fica a questão:

Então não se trata de uma ficção?

Não! Não é bem isso.

Ah! É cinema de animação.

Não!

A questão colocada é a forma discursiva em que a obra se apresenta a quem a presencia.

A esse respeito é importante dizer que o seu discurso não é o lógico linear, daí a ficção ser fragmentada. Foi o advento da filosofia que instaurou que se deve considerar a multiplicidade das coisas e dos seus variados aspectos na ótica da unidade conceitual[1]. No discurso hipotáxico, o discurso nascente da filosofia, temos a ligação de uma proposição principal ligada a outras que dela dependem e são subordinadas, enquanto que no discurso paratáxico, o qual percebo presente nas obras dos cineastas acima citados, o procedimento sintático se desvela, através de uma série de proposições coordenadas e, portanto, sem  nexo estrutural e funcional de subordinação e dependência.

Assim, entendo, o discurso em questão aproxima-se do discurso mítico, onde não se encontra nexo lógico preciso; quem esteve presente na sessão 4 pôde ver diante de si uma justaposição e sucessão de imagens que não explicitaram nexos lógicos que se ligassem a nenhuma parte.

Essa questão se faz presente no âmbito das artes contemporâneas. Nos meios acadêmicos das artes cênicas há muito se debate a questão da linearidade; dada a crise instaurada na dramaturgia desde Alfred Jarry, no final do século XIX, passando pela Cantora Careca de Ionesco, Esperando Godot de Beckett, Artaud, Brecht, Grotowski, até chegar ao que hoje, o alemão Hans-Thies Lehmann denomina de Teatro Pós-Dramático.[2]

A implicação deste elemento fundamental para compreensão da sessão 4 é que a sucessão de imagens revela o que Dumans chama, no programa da mostra, de personagens à deriva e que eu denominei seres corporais, já que no contexto das obras assiste-se a seres humanos que não apresentam nomes ou caracteres psicológicos como os personagens em seu sentido clássico. A esse respeito é importante ressaltar que o personagem no Teatro também se encontra em cheque, e isso se deve a morte do sujeito[3] decretada na filosofia ou, especificamente no teatro, às diferentes formas de se entender a realidade como afirma Lehmann.

Tiradas as roupagens psíquicas  da personagem o que se tem são corpos, ainda que possam se apresentar em diferentes partes do mundo em situações diversas; vagando sem destino, morto ou ferido no deserto, como um náufrago em uma ilha, como um escravo, o que se tem são apenas corpos onde as “identidades”,  são dadas pelas nossas leituras, denominações ditadas, identidades dadas pelo leitor da obra, ávido em contar uma narrativa linear.

As obras parecem evitar identificar seus personagens; o que se tem são presenças, onde as individualidades padecem. O que parece em questão é a condição humana como em Esperando Godot.

As situações apresentadas pelos corpos nos filmes me remetem ao que Reale afirma ao estudar o corpo a partir nos poemas de Homero onde o termo soma , o qual designa corpo,  significava cadáver e não organismo vivo: só depois de morto, deslocado do contexto coletivo, o corpo era designado como tal. Pode-se afirmar que neste universo não prevalecem indivíduos, personagens como compreendemos, que traçam sua história, seres desejantes. O que existe é o corpo da coletividade de onde herdamos os termos corporativismo, corpo docente, corpo discente, etc.

É importante mencionar que nem sempre existiu a noção que temos de subjetividade a qual nos configurou um “eu”, e, portanto sujeito de uma história, consumidores desejantes; a esse respeito o trabalho de Zeferino Rocha sobre o desejo na Grécia antiga,  pode nos dar muitas pistas, veja-se o trecho a seguir.

O homem homérico não tinha ainda conquistado, no que tange à compreensão de si mesmo, nem o espaço de sua interioridade, nem, muito menos, o de sua liberdade, nem de suas escolhas, espaço sem o qual o homem não pode ser tratado como um ser de desejo. Na verdade, o desejo, como força motora do agir humano, não pode se manifestar onde ao homem não for dada a possibilidade de traçar, ele mesmo, seus próprios caminhos e assumir a responsabilidade de seus próprios atos. No entanto, se quiséssemos rastrear a longa trajetória, pela qual foi sendo, paulatinamente, elaborado o conceito de desejo na Filosofia ocidental, creio que não seria inadequado dizer que o quμoV (thymós) homérico, tal como aparece nos poemas épicos, foi uma primeira manifestação, ainda embrionária, daquilo que, depois, os poetas líricos, os poetas trágicos e, sobretudo, os filósofos designaram como desejo[4].

A morte da personagem neste sentido é a morte do ego, se isto é possível.

A maneira como o humano é tratado nos trabalhos de Gustavo Jahn e Melissa Dullius, apresenta-se em forma de corpo, e todo psicologismo e suas afetações, que o teatro também tanto debate, cai por terra.

Dessa forma a ficção passa a ser elaborada com a força das imagens, as quais, conforme descreveu Artaud[5] em seu Teatro Metafísico, parecem saltar da tela dispensando o aparato psicológico dos corpos que surgem. Neste aspecto ganha sentido a colocação personagens à deriva de João Dumans. Desde que se perceba a personagem em estado de decomposição, de cadáver, e não organismo vivo, sucumbindo em seu último suspiro, o ser humano em sua condição única da espera da morte, à deriva, ainda que possa inventar e reinventar sentidos, para se distrair de sua condição trágica.

Outro aspecto bastante interessante ainda em relação aos corpos (personagens) é o fato de que os autores têm seus corpos presentes em alguns de seus filmes.

Neste aspecto, vejo emergir o registro documental e o forte flerte com as  artes plásticas. Compreendo que a presença das artes plásticas não está na composição das imagens, ou na exploração espacial dos lugares, ela transcende o aspecto imagético dos filmes. Está nos corpos, personagens à deriva, no sentido dado acima, principalmente no corpo dos seus autores.

Percebo nos filmes apresentados, na forma como são elaborados, um forte registro documental do que arrisco chamar de perfomances.

Os roteiros nos levam a momentos performáticos em diferentes lugares, com diferentes corpos e “n” possibilidades. As performances têm como peculiar característica dirimir qualquer linha divisória entre arte e vida. Assim justifica-se o tratamento dado aos corpos e a presença de seus autores. Se as performances, por um lado tem levado ao crescimento narcisista e ao boom do charlatanismo, por outro tem operado pontos de fuga interessantes, possibilitando o advento do corpo sem órgãos de Artaud definido por Deleuze e Guatari[6], já que na sombra do mundo planificado e hiper-administrado, que investe em tecnologias que pretendem criar um corpo modelado e impermeável às incertezas da  existência, desencadeiam-se também tensões destrutivas expressas nos corpos lúgubres e esvaziados dos junkies, dos pacientes psiquiátricos, dos jovens heróis suicidas. Muitos dos estados considerados patológicos pela sociedade poderiam ser tomados como experimentos na direção de um corpo sem órgãos que por vezes fracassam, desencadeando processos de auto-aniquilação. Da hipocondria a paranóia, do vício ao masoquismo, há sempre uma espécie de rebelião conta o organismo, um impulso de evasão dos códigos normatizadores, em direção ao grau zero, a um plano de recriação e renascimento [7]

Essas linhas de fuga, presentes na performance, podem no entanto sucumbir, – como exemplificam os corpos junkies, os corpos viciados -, num buraco negro numa pura negatividade que se confunde com a pulsão de morte.

O que entendo por invenção é precisamente este plano de recriação e renascimento que os autores propõe a si mesmos e aos outros corpos que encontram ao alinhavar suas vidas com seus trabalhos, mantendo-se nos campos imateriais das artes acabando por criar através de seus roteiros em estreita elaboração com os lugares e corpos reinvenções de vida, através de uma sabedoria prática, pois conforme Cassiano Quilici é a única garantia contra o fracasso dessa experiência. Já tendo participado em três do seus trabalhos, percebo que nestes emerge a possibilidade de um do corpo sem órgãos, o corpo necessário à performance, que traz em si uma necessidade de liberdade profunda implicando em se desfazer automatismos e produzir um corpo povoado pela circulação de fluxos e intensidades.

Os filmes de Gustavo Jahn e Melissa Dullius têm o aspecto documental de registro,  no que acabam por se tornar seus roteiros cotidianos perfomáticos. A maneira que encontram de dirimir barreiras entre arte e vida, onde quer que estejam, seja Florianópolis, Berlim, Moscou, Recife, Londres, Cairo agregando-se a outros corpos que trazem em si essa fome de viver uma experiência, talvez mítica, onde o sagrado transcende tão somente da matéria e passa necessariamente pelo corpo capturado por uma câmera.

Dessa maneira se estabelece outra dúvida: realmente estamos no campo da linguagem cinematográfica?

Ainda que pareça paradoxal a resposta é: sim, visto que o elemento fundamental, que é a linguagem cinematográfica, é respeitada e aplicada rigorosamente.

Como ator, essa mostra me fez pensar se é possível mencionarmos o termo teatralidade do cinema, conceito que tem sido tão caro ao teatro e a dança; mas esse é outro assunto…

A arte contemporânea tem como uma de suas características o hibridismo, com isso proporciona áreas cinzentas, como da dançateatro, ou mesma da performance que desliza entre teatro, dança, música e as artes visuais. A arte de hoje é de difícil conceituação a partir de classificações canônicas aristotélicas, permitem  a maravilhosa possibilidade de nos tirar da condição consumista em que nos relega o problema ontológico do corpomente resultante do dualismo platônico cartesiano, pois nos convida a vivermos imersos onde o controle lógico hipotáxico inexiste. Sua acessibilidade só é possível com o bombardeio do ranço de uma civilização que nos legou a fome por um prato de comida, como afirmou Artaud e, visto que o caduco dualismo persiste e insiste em nos massacrar; a arte contemporânea se abriga em campos imateriais onde se tem a presença não de espíritos más da matéria que outrora fora renegada pelo totalitarismo e urge por se erguer para que possamos viver em paz, já que se faz presente em nossa memória em forma dos arquétipos dos tempos místicos de toda origem, dando-nos um sentido mais profundo de vida além de meros consumidores de filmes.

Parabéns ao Itaú Cultural por exibir o que temos de valioso no Brasil.

Juarez Nunes (Ator), 25 de Abril de 2010.


 

Referência Bibliográfica.

 

[1] REALE, Giovanni. Corpo, alma e saúde. O conceito de homem de Homero a Platão. São Paulo: Paulus, 2002. 

 [2] GUINSBURG J, e Fernandes, Silvia (Orgs) – O PÓS-DRAMÁTICO, Um conceito operativo? Perspectiva, 2009.

http://mail.google.com/mail/?ui=2&view=bsp&ver=1qygpcgurkovy – 1283c2054b180f18__ftnref3#1283c2054b180f18__ftnref3 

[3] PEQUENA ANÁLISE SOBRE O SUJEITO EM FOUCAULT: A CONSTRUÇÃO DE UMA ÉTICA POSSÍVEL, http://www.uel.br/eventos/sepech/arqtxt/resumos-anais/TiarajuDPPez.pdf, acesso em 24/04/2010.

[4] ZEFERINO Rocha, “O desejo na Grécia Arcaica”, in Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental. Vol.II, no 4/1999, pp. 94-122. – www.fundamentalpsychopathology.org/art/dez9/6.pdf, acesso em 06/03/2010

 [5] ARTAUD, Atonin; O Teatro e Seu Duplo,  Tradução, Teixeira Coelho – 1ª Ed.– São Paulo – SP, Editora Max Limonad LTDA, 1984.

[6] DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix. O Anti-Edipo: Capitalismo e Esquizofrenia. Rio de Janeiro: Imago, 1976

[7]  QUILLICI, Cassiano Sydow. Antonin Artaud: Teatro e Ritual, São Paulo: Annablume; Fapesp, 2004.

 


Distruktur em Recife

On the evening of  april  19th the filmmakers Melissa Dullius & Gustavo Jahn will present Distruktur em Recife, a program with 6 films made between 2002 and 2010. The session will be held at Cinema Da Fundação, the main venue for arthouse cinema in Recife.

Gustavo Jahn & Melissa Dullius are at the moment working in Recife. They were invited by Trincheira Films to work on the art concept and 16mm cinematography of the film “Animal Político”, directed by Tião and produced by Leonardo Lacca.

In the program, the films DON’T LOOK BACK, 2003, TRIANGULUM, POSTCARDS, ÉTERNAU, and ABRIL will be shown.

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Gustavo Jahn & Melissa Dullius trabalham atualmente em Recife, colaborando na produção “Animal Político”, da Trincheira Filmes. O filme é dirigido por Tião e produzido por Leonardo Lacca. 

No dia 19 de abril de 2010, próxima segunda-feira, às 19h30, os cineastas Gustavo Jahn & Melissa Dullius apresentam no Cinema da Fundação o programa de filmes Distruktur em Recife. Na sessão, seis filmes da produção da dupla, realizados entre e 2002 e 2010.

Gustavo Jahn & Melissa Dullius trabalham atualmente em Recife, colaborando na produção “Animal Político”, da Trincheira Filmes. O filme é dirigido por Tião e produzido por Leonardo Lacca. 

Leia mais (clipping dos jornais de Recife)

 Programa:

 DON’T LOOK BACK – 16mm, 7’, 2010 - Don´t Look Back é um exercício de repetição e um estudo sobre as mudanças que são percebidas pelo retorno sistemático ao mesmo ambiente.

2003 – video, 5’, 2009 - Amantes aquáticos navegando uma tempestade de verão.

TRIANGULUM – 16mm, 22’, 2008 - Um trio à beira do abismo encontra o destino, personificado como uma jovem mulher. Eles são transportados para uma metrópole oriental, sem saber o que fazer ou para onde ir. Sinais aleatórios são as únicas pistas a serem seguidas, e guiarão cada um para uma jornada pessoal. Em movimento perpétuo, paranóicos, eles avançam em busca do equilíbrio.

POSTCARDS – 16mm, 7’, 2007-2008 - Mini-ficções cromáticas acontecem em diversas cidades ao redor do globo.

 ÉTERNAU – 16mm, 21’, 2006 - Viajando por terra, mar e através do espaço-tempo em busca de riquezas e belezas, os extravagantes Arqueólogos Mercenários invadiram os limites do jardim ancestral, causando o descompasso

ABRIL – S8, 15′ , 2002 -  Dois meninos entram no mar em uma manhã de abril. Uma onda leva um deles para longe. O outro aprende a ser só.

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Cinema da Fundação
Rua Henrique Dias, 609, Derby 

Fones: 3073.6688, 3073.6689, 3073.6712 e 3073.6651
cinema@fundaj.gov.br – www.fundaj.gov.br

Distruktur em Curitiba

A program of Gustavo Jahn & Melissa Dullius’ films  will be part of “Narrativas à Deriva“, in Mostravideo 2010- Itaú Cultural.

Curated by João Dumans and Andre Costa, Narrativas à Deriva will exhibit  5 programs with works of  Peter Fischli & David Weiss, Joris Ivens & Marceline Loridan Ivens, Jem Cohen, Joan Jonas, Melissa Dullius & Gustavo Jahn.

In the program nr. 4, to be presented in the city of Curitiba in the evening of april 22nd, the following films will be shown:

Don’t Look Back (Gustavo Jahn & Melissa Dullius, Germany, 2010, 7 min)

2003 (Melissa Dullius, Brazil/Germany, 2009, 5 min)

Triangulum (Gustavo Jahn e Melissa Dullius, Brazil/Germany/Egypt, 2008, 22 min)

Postcards (Gustavo Jahn e Melissa Dullius, Brazil/Portugal/Belgium/Germany, 2008, 8 min)

Éternau (Gustavo Jahn, Brazil, 2006, 20 min)

Gustavo Jahn & Melissa Dullius will take part in a discussion after the screening.

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(scroll down for further information in portuguese)

Mostravídeo 2010 – Narrativas à Deriva (curadoria de João Dumans e Andre Costa)

O tema “Narrativas à deriva” esconde uma ambigüidade bastante simples revelada no pequeno texto introdutório da mostra. A deriva aqui remete tanto à idéia de personagens que viajam e deambulam pelo mundo – por sobrevivência, encantamento, tédio ou delírio – quanto à deriva da própria narrativa, levada a inventar para si, no contato com o improvável ou com o desconhecido, uma nova sensibilidade e uma nova forma. Com frequência, portanto, estaremos diante de narrativas atípicas, onde realizadores vindos de contextos distintos mobilizam os mais variados recursos estéticos para contar suas histórias. (leia mais)

Leia aqui Quatro Perguntas e Quatro Respostas , Melissa Dullius & Gustavo Jahn entrevistados por João Dumans..

SESSÃO 4
quinta 22 às 19h30

A viagem é um motivo recorrente nos filmes de Gustavo Jahn e Melissa Dullius, embora seus trabalhos pouco tenham a ver com as formas mais consagradas de tratamento do tema. Mais do que relatos, seus filmes são como ocupações provisórias no espaço e na história dos lugares. Ali se contrabandeiam invenções, pedaços de outras histórias, crimes, figuras míticas, lendas antigas. Nesse livre comércio de imagens, em meio a cores e formas sempre exuberantes, é possível achar qualquer coisa, de tapetes voadores a múmias, de monstros marinhos a escravos.

Don’t Look Back
Gustavo Jahn e Melissa Dullius, Alemanha, 2010, 7 min
Um exercício de repetição e um estudo sobre as mudanças que são percebidas pelo retorno sistemático ao mesmo ambiente.

2003
Melissa Dullius, Brasil/Alemanha, 2009, 5 min
Amantes aquáticos navegam em uma tempestade de verão.

Triangulum
Gustavo Jahn e Melissa Dullius, Brasil/Alemanha/Egito, 2008, 22 min
Um trio à beira do abismo encontra o destino personificado numa jovem mulher. Eles são transportados para uma metrópole oriental, sem saber o que fazer ou para onde ir. Sinais aleatórios são as únicas pistas a serem seguidas, e guiarão cada um para uma jornada pessoal.

Postcards
Gustavo Jahn e Melissa Dullius, Brasil/Portugal/ Bélgica/ Alemanha, 2008, 8 min
Minificções cromáticas ocorrem em diversas cidades ao redor do globo.

Éternau
Gustavo Jahn, Brasil, 2006, 20 min
Viajando por terra, mar e através do espaço-tempo em busca de riquezas e belezas, os extravagantes Arqueólogos Mercenários invadem os limites do jardim ancestral, causando o descompasso do céu e do mar.

The Moscow drive: Cat Effekt

On January 13th Melissa Dullius and Gustavo Jahn arrived in Moscow to work on their film project “Cat Effekt”. 

The first two weeks were spent on research, psicogeography  and on building a network involving artists and cultural workers from Moscow, Berlin, Brazil and beyond. In these encounters they found information, inspiration and co-thinkers. The “Cat Effekt” project, which proposed to build this network and to set in motion the production of a film in Moscow was supported by the European Cultural Foundation through their mobility grant StepBeyond.

During the first phase, the filmmakers were writing day by day the script of Cat Effekt. The shooting took place mainly in the streets of Moscow between January 28th and February 13th. Over 20 comrades were directly involved in the making of the film. The filmmakers would like to express their gratitude to all the crew, supporters and friends. Some of them are listed below.

Vilius Machiulskis (cinematographer, producer), Tatyana Derbeniova (actress), Andrei Kostianov (technical adviser, producer, actor), Tatyana Rudnikh (producer), Iana Stefanova (production assistant, interpreter and translator), Andrei Kochelov (camera assistant); Daria Gordeeva (actress). Also: Dmitri Trofimov, Yulia Gushina, Gary Gorelov, Jules Kowalski, Elizabeth X, Nikita Sutyrin, David Zapirov, Piotr Ryapolov, George Dreiling and Bahat Kartandaev.

Back in Berlin, the material shot in Moscow, 2 hours of 16mm negative film, was hand processed by the filmmakers in the LaborBerlin. "Cat Effekt" is being edited and will be released untill the end of 2010.

Distruktur в Москве: Cine Fantom

In Moscow, Gustavo Jahn & Melissa Dullius were invited by Lenka Kabankova and Andrey Silvestrov from the Cine Fantom club to show a selection of their films.

The screening took place on February 10th at the Cinema Pioner.

 

The films TRIANGULUM, ÉTERNAUABRIL were shown, and DON’T LOOK BACK had its premiere on this evening. The russian film “БЫТЬ СВОБОДНЫМ” (TO BE FREE) from the director Timofey Ikhov was also having its premiere. After the screenings, the discussion about the films was intense, what was described as usual by the regulars.  The host and moderator was Andrey Silvestrov, programing director of the club.

Cine Fantom asked the Melissa Dullius & Gustavo Jahn for a statement on themselves, their films and their experience in Moscow. The text was translated into russian and published on the Cine Fantom weekly newspaper. We reproduce it below:

” We planned this one month film adventure in Moscow following some concrete signs and our intuition. We had met our cinematographer Vilius Machiulskis last year in Lithuania and wanted very much to work with him. Vilius is finishing his studies at VGIK and is like us very interested in analogue cinematography, 16mm in our case.
We felt that a very interesting atmosphere takes place in Moscow, and therefore the art production, way of thinking and living should also be interesting, challenging. And we didn’t know much about it.
It happened before that some place attracted us to go there and experience it with our own perception. So we decided to come to Moscow and shoot a film called “Cat Effekt”. This title also relates to this first encounter with Machiulskis. In this occasion we were in a film workshop about hand processing. We brought from Berlin one short scene that specially impressed the workshop participants. This scene shows a cat walking in a street. What is special about it is that everything that shoud be black in the image, the shadows and so on, is gold, burning gold. The effect happened during the processing of the footage, the chemicals reacted in an strange way, transforming black into gold. We started talking about this effect, and tried to repeat it in our laboratory experiences. Moscow was also a subject in our minds, and we put the pieces together, the Cat Effekt film in Moscow.
This episode tells a lot about the way we’ve been working in the last years and how we are developing our methods and cinema language. We look for signs, we follow them, a situation is created, a film happens. The cat scene was the last image we shot for our previous film Triangulum, which was done in Cairo. The image was processed in Berlin by Michel Balagué, Triangulum’s cinematographer. We coud not use it in the final editing because it was too different from all the film’s footage. So this image ended up attracting other people into another project, and it turned out to be the first image we had from this film we are doing in Moscow.

Once we decided to come to  Moscow we started building a network, and through friends of friends and some research on internet we got great contacts and met wonderful people already in our first days in the city.  Moscow is a huge and tough city where time passes faster than in any other place we’ve seen. There is no chance for hesitation. On the streets  people look confident and we also feel confident in our moves.

With “Cat Effekt” we give continuation to a kind of film making process wich we started 2 years ago with “Triangulum”, mentioned above. Maybe it began even before, with a film called “Fluxus et Refluxus, that we began while crossing the Atlantic ocean, sailing to Berlin. We keep shooting this film, dealing with this moving around, playing with identities, from ourselves and from others. It is even hard to separate them, in the sense that they follow a flow, and what changes is the cities, the people we meet, the groups that we form in each place, in one word, the situations.

During 2010, if we “survive” Moscow drive, we plan to propose and be involved in film situations in 2 others cities in Europe. And “Cat Effekt” will go on in Berlin: it will be hand processed by us in our collective film-lab LaborBerlin.”

 

Link to article on Cine Fantom in English

Link to the Distruktur program at Cine Fantom’s website (in russian)

Film Show in Vilnius, Lithuania

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Gustavo Jahn & Melissa Dullius  were invited to the “3rd 8 mm Film Festival” in Vilnius.

They were invited to present a program with their films, wich was shown on the afternoon of october 3rd, at the “Antanas Venclova Memorial Room”.

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The festival was coorganized by the Super 8 Klubas “Picnic in a Hand”, whose members also organized the Workshop on developing film material that had brought Gustavo to Lithuania in August.  Jaap Pieters, super 8 filmmaker and photographer was also a guest from the Festival, bringing the joy of his films and presence.

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Gustavo and Melissas presented films on super 8 and 16mm, and slide projections. A highlight was the premiere of “Puppenhaus”, their first film  shot in Berlin around January 2007.  Puppenhaus is a 16mm triple projection, consisting on 3 projectors that  screen simultaneously: 1) the sky crossed by airplanes; 2) Sybille, and 3) Myrna,  female neighbours that interact by their windows and through their walls.

The program was composed by

Puppenhaus (16mm, triple screen installation, color, 30sec)

preview of the unreleased Don´t Look Back (16mm, fiction, color, sound, 7min) with sketched soundtrack

We Can Go Now (super 8mm, fiction, color, 2min)

Travessia + Postcards (16mm, mini-fiction-series, color, aprox. 15min)

Kill Kill Kill (16mm, animation, color, 3 min)

Abril (super 8mm, fiction, B&W, sound, 17min)

footage of Bonaparte´s concert at Admiralspalast (16mm, color, 3min)

Egyboy (super 8mm, film portrait, B&W/color, 1 min)

Train Trip (super 8mm, film portrait, B&W, sound, 3 min)

and also the double slide projection performance Towers Open Fire.

After the show, Melissa & Gustavo and Jaap were invited by Audrius Mickevicius (also a guest of the festival who held a lecture on the theme  “Unconsciousness”) to show films to his students of the Academy of Fine Arts (DAILES AKADEMIJA). This second screening took place on tuesday 6th,  the films Kill Kill Kill, Train Trip, and the still unfinished Don´t Look Back were projected by the couple.

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(born in 1982) – a graduate from the Academy of Fine Arts in Vilnius, speciality in design. As he himself claims he did not make a mental note in his biography of any relations to KGB, however, in his case no one can be sure of anything due to his indeed Dadaist attitude. On every day basis he has a creative work place in an advertisement agency and in his art he gets his fantasy and willingness off his chest to get away from the widely- held stereotypes. In his works he moves fluently between media, using objects, video, graphic, painting and performance. The combinations he achieves are surprising, sometimes funny or irritating, however, through his works, he always tries to make an analysis of the present reality.
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